Kibbutz

Quando saí do Brasil, muitas pessoas me perguntaram o que vim fazer aqui em Israel em maiores detalhes. A minha resposta invariavelmente era “estou formado e sei que se começar a trabalhar não viajo mais, vou acabar criando raízes. Queria aproveitar que ainda sou novo pra viajar e conciliar a viagem com trabalho. Como sou formado em Agronomia, um kibbutz é uma boa opção. Tô indo pra Israel pra trabalhar em um kibbutz”

“Mas o que é um kibbutz?”, muitos perguntaram. Fora o fato de ser uma comunidade agrícola, eu não tinha certeza de quais mais informações passar. Eu tinha a impressão que fosse algo que lembrasse o comunismo pela divisão igualitária de bens, todos vivendo juntos realizando determinadas tarefas para o desenvolvimento da comunidade.

Falando com a coordenadora do kibbutz, Oshra Rosenberg, ouvi a história do kibbutz Yechiam, mas pode ser aplicado para a maioria dos kibbutzim existentes.

O kibbutz foi criado nos moldes do ideal comunista, todos vivendo para o bem comum. Cada membro tinha sua tarefa e todos recebiam a mesma quantia do kibbutz. Acredito que seja ideal e justo que todos disfrutem da mesma condição. Porém, dessa forma, todos podiam e praticamente usavam as mesmas coisas e sabiam o que tinham condições de comprar. Se alguém viesse com algo diferente, já era um monte de “como tu conseguiste pagar por isso, se ganhas a mesma coisa que eu?”. Meio que supressão da individualidade.

As casas eram minúsculas, era só pra dormir praticamente. Nada de sala de jantar, de visitas e afins. Tinha um local de refeição coletivo, as crianças não moravam com os pais, moravam todas juntas desde pequenas, o contato com os pais era de poucas horas por semana. As roupas eram identificadas e lavadas todas juntas. Uma realidade bem diferente da de hoje.

Hoje em dia já não é mais assim. Os salários não são mais atrelados ao kibbutz, é cada um por si, trabalham pra quem quiserem e onde quiserem. Os kibbutznikim (moradores do kibbutz) ainda vivem em comunidade e tem que prestar contas ao kibbutz, como se fosse um condomínio fechado. As casas podem ser grandes, pequenas, quadradas, redondas, as crianças moram com os pais, cada um tem sua própria máquina de lavar roupas, perdeu-se o conceito de kibbutz do passado.

O que contribuiu para essa mudança foi a debandada dos jovens dos kibbutzim. É comum que quando chega a idade de ir para o exército (2 anos pras mulheres e 3 anos pros homens) os jovens saiam de casa e não voltem mais, ocorrendo o esvaziamento do kibbutz. Só ficam os mais velhos e os bem jovens, um buraco no meio.

Para repovoar o kibbutz, as casas começaram a ser alugadas sob esse novo sistema, de aluguel de casas como se fosse condomínio fechado, sem vínculo empregatício com o kibbutz. Assim, começaram a vir famílias jovens faz 5 anos para o kibbutz Yechiam, incluindo a família da Oshra e do Tamir.

Pode-se dizer que a mudança do sistema contribuiu para a sobrevivência do kibbutz.

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3 Responses to Kibbutz

  1. Mãe says:

    Gostei muito deste resumo sobre a evolução do kibutz.

  2. Karen Carmona says:

    Agora eu sei o que é um Kibbutz, bastante interessante a história e evolução dessas comunidade agrícola. Fico feliz em saber que vc resolveu viajar um pouco. Isso é bom demais XD
    Estou em contagem regressiva para ir a Alemanha, passarei um ano lá, e pretendo além de estudar muito (uma vez que este será meu segundo intercâmbio e irei para estudar Geologia) viajar por toda a Europa…mas quem sabe dou uma fugidinha pro Egito…huahauhauha, quem sabe…
    Boa sorte ai e aproveita!

  3. anna says:

    uma noticia nova é que ontem o Gremio se tornou campeão do primeiro turno, beijos

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