Yom HaShoa – a história de um sobrevivente do Holocausto / the story of a Holocaust survivor

Shalom leculam (hello everybody).

This week in Israel is all about Yom HaShoa, the Holocaust Day. Yom HaShoa happened officially this Monday, May 2nd. It is a remembrance day regarding everyone that died in the Holocaust.

Monday, May 2nd – We visited a place called Lochamey Hageta’ot – Ghetto Fighters -, where we watched a tribute to the ones that perished in this event, the ones that are with us to tell their story and the ones that put themselves in risk to help the targets of the Nazis.

The last week we had an opportunity to listen the story of one of the Holocaust survivors that live in the kibbutz.

His name is Avraham (Avri) Fischer. He lived in Bratislava, old Czechoslovakia and nowadays the capital of Slovakia, and he was really young when it happened. He is now in his early 70s.

His father and mother are Jewish. His father was a known doctor in the city. When the Nazis invaded the city, due to the fame of his father, Avri got separated from his parents, which did so to protect their child. “Never wear the yellow star (it tells them you are a Jew), never walk around other people with this symbol (to make it difficult to get caught)”, his parents said. They aimed for his survival, even though he would go through hard times. The link between them was Avri’s aunt. Since she married a Christian man, she was no longer Jewish and was not in danger.

Avri was hosted in a non-Jewish family with forged documents, which said he was an orphan of war. They were risking their lifes, since although Nazis were aiming for Jews, they would not tolerate people helping them. Nazis would show up for investigation often, so that in order for them not to be able to deepen their search, this family had a deal with their neighbours. Avri would live in one of the houses during the day and jump off the wall to the neighbours at night, where he would sleep.

A certain day, Nazis showed up in the second house. “Are you hiding any Jew?”, they asked. “No”, the family replied. “Can we look inside the house?”, “Yes”. They couldn’t say no…

Avri was listening everything in his room. Nervously, he went to bed, pretending to be asleep. “Who is this child?”, “He is an orphan of war, here are the documents”. It wasn’t enough. The Nazis pointed a lantern in his face and made him wake up. Avri didn’t do anything unusual, in fear to be caught. “This is a nice child”, one of the Nazis said, “it doesn’t look like a Jew”. “Yes, it doesn’t, let’s move”, said the second one. The family and Avri were saved for now, but for how long? They were scared and the Nazis could deepen the search and figure out the truth.

With that in mind, they moved Avri to another family. This time, Avri suffered from bullying. The boy from the family kept hitting him when they were alone and also said that, if Avri would say anything about this to his parents, he would scream in the streets that there were a Jew hiding in their house. Sick.

This time he met the Nazis again. He wasn’t living far from his original house and one of the Nazis said, “hey look, this kid looks so much like the boy we saw in a picture in an abandoned house next to here, in a Jewish house”. They brought the picture and showed it to him. It was really him in the picture, but Avri answered so normally as possible “Indeed, he looks like me. There is a lot of people that look alike in this world”. With this vague answer, the Nazis went away.

Again, fearing a deeper investigation, he finally moved to a 3rd house, in the countryside, not in Bratislava anymore. With that, he lost the contact with his aunt and consequently he could not hear more from his parents, whom were safe until then.

The Nazis did not go to this 3rd place and eventually the war ended. No one of them was caught and everyone met again. This is 1945.

Four years later, the family moved to Israel. Avri’s father kept working as a doctor in Haifa until the end of his life, while Avri moved to Kfar Masaryk and raised a family here. Grandparents, parents and children living close in Israel after a tragedy happened.

————–

Shalom leculam (oi para todos).

Essa semana em Israel é sobre Yom HaShoa, o dia do Holocausto. Yom HaShoa aconteceu oficialmente no dia 2 de maio. É um dia de relembrar todos aqueles que morreram no Holocausto.

2a-feira, 2 de maio – visitamos um lugar chamado Lochamey Hageta’ot – Ghetto Fighters -, onde assistimos uma homenagem para aqueles que faleceram na tragédia, para aqueles que estão conosco para contar suas histórias e para aqueles que arriscaram suas vidas para ajudar os alvos dos nazistas.

Na semana passada tivemos a oportunidade de ouvir a história de um dos sobreviventes do Holocausto que vive no kibbutz.

O nome dele é Avraham (Avri) Fischer. Ele morou na Bratislava, na antiga Tchecoslováquia e atualmente capital da Eslováquia, e era muito pequeno quando isso aconteceu. Hoje ele tem 70 e poucos anos.

Os pais dele eram judeus. O pai dele era um doutor bem conhecido pela cidade. Quando os nazistas invadiram a cidade, devido à fama do pai, Avri foi separado dos seus genitores, para sua proteção. “Nunca use a estrela amarela (ela diz que você é judeu), nunca ande com outras pessoas que carregam o símbolo (para dificultar a captura)”, os pais disseram. Eles almejavam a sobrevivência do filho, mesmo que tivesse que passar por tempos difíceis. O elo entre eles era a tia de Avri. Como ela se casou com um cristão, não era mais considerada judia e não estava em perigo.

Avri ficou hospedado na casa de uma família não-judaica com documentos falsificados, que diziam que ele era um órfão de guerra. A família estava se arriscando, porque embora os nazistas estivessem procurando por judeus, eles não aceitariam que outros os acobertassem. Os nazistas iriam aparecer para investigar com alguma frequência, então para que não pudessem se aprofundar na pesquisa, essa família tinha um acordo com a família vizinha. Avri ficaria durante o dia em uma das casas e pularia a cerca que separava as casas pela noite, ficando na 2a casa para dormir.

Certo dia, os nazistas apareceram na 2a casa. “Vocês estão escondendo judeus?”, perguntaram. “Não”, a família respondeu. “Podemos olhar lá dentro?”, “Sim”. Não podiam dizer não…

Avri escutou tudo do quarto. Foi pra cama apressado, nervoso, fingindo que tava dormindo. “Quem é essa criança?”, “É um órfão de guerra, aqui tão os documentos”. Não foi o suficiente. Os nazistas apontaram a lanterna na cara dele e o fizeram acordar. Avri não fez nenhum movimento, com medo de ser pego. “É uma bela criança”, um dos nazistas disse. “Não parece judeu”. “Sim, não parece, vamos”, disse um segundo. A família e Avri estavam salvos por ora, mas por quanto tempo? Eles estavam assustados e os nazistas poderiam investigar mais a fundo e descobrir a verdade.

Pensando nisso que Avri foi transferido para outra família. Dessa vez, Avri sofreu bullying. O garoto da família ficava batendo nele quando estavam sozinhos e ainda disse que, se Avri dissesse qualquer coisa para os pais dele, ele iria para as ruas e gritaria que tinha um judeu escondido na casa. Doente.

Avri encontrou os nazistas novamente. Ele não estava morando longe da casa original e um dos nazistas disse, “ei olhe, esse garoto parece muito com aquele que vimos em uma foto na casa abandonada perto daqui, uma casa judaica”. Eles trouxeram a tal foto e a mostraram para Avri. Era ele mesmo na foto, mas Avri respondeu impassível, “realmente, ele se parece comigo. Tem muitas pessoas que se parecem no mundo”. Com essa resposta vaga, os nazistas se foram.

De novo, com medo, ele foi transferido para uma terceira casa, mais no interior do país, não mais em Bratislava. Com isso, perdeu o contato com a tia dele e consequentemente não ouviu mais notícias de seus pais, que estavam a salvos até então.

Os nazistas não apareceram na terceira casa e finalmente a guerra terminou. Nenhum deles foi pego e todos se reencontraram. Ano de 1945.

Quatro anos depois, a família se mudou para Israel. O pai de Avri continuou trabalhando como médico em Haifa até o fim da vida, enquanto Avri veio para Kfar Masaryk e teve uma família aqui. Avós, pais e filhos vivendo próximos em Israel depois da tragédia ocorrida.

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4 Responses to Yom HaShoa – a história de um sobrevivente do Holocausto / the story of a Holocaust survivor

  1. Ida says:

    História interessante. A tia dele – como toda a família, aliás – teve muita sorte, porque, ao que eu saiba, mesmo as pessoas casadas com cristãos eram (e ainda são) consideradas judias.

    • guichazan says:

      Pois é, essa história tem falhas. Esse negócio de “não parece judeu” é facilmente visível em um guri, só baixar as calças…
      A tia dele pode ter mudado de nome e com o sobrenome cristão no documento não foi reconhecida.
      Ou os nazistas que visitaram não quiseram se dar ao trabalho.
      Seja como for, disseste tudo: tiveram sorte.

  2. Greize says:

    Nossa parece roteiro de filme.Assombroso o que aconteceu e tem gente que diz que foi invenção.Assisti o filme O menino de Pijama listrado, os nazistas não souberam quem era a criança judia e alemã.Os dois indo para a câmara…Horripilante.Esse deu sorte?Acho que tdos tem sua hora, não era hora dele.

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