Deafness – differences and goals / Surdez – diferenças e objetivos

After I got graduated, the time I used to spend with study disappeared. I had to fill it again with other kinds of activities and I picked Brazilian Sign Language (also known as LIBRAS) to keep me a little busy.

The first class happened in the 2nd semester of 2010 and I kept studying in the 2nd semester of 2011. I haven’t adquired the sign fluency I wanted, but I can already understand some situations due to its context and also because of lip-reading, since I have met a lot of signing deafs that articulate the words with no sound, just moving their lips.

At the same time, I became part of a Facebook group of oralized deafs. Both groups – oralized and signing – are currently putting efforts so that the world can become more accessible to them mostly through special education and interpreters (signing deafs) and subtitles and real-time chats/e-mails rather than telephone calls (oralized and bilinguals – fluent in signing and written Portuguese – too). I really hope both groups achieve what they want. Accessibility is not only a right, but a must.

Unfortunately (in my opinion at least), the groups are not working together to achieve their goals. I understand that what each group wants is different and there is no need to make an alliance – which could make the fight easier, since the number of participants would increase and the communication with the so-called hearing world would be facilitated as well. As I see it, the reason that this union does not happen is because of prejudice in both sides.

Some arguments I have seen so far, from signing deafs: 1- “signing is the natural language of the deaf, there is no need for us to speak”; 2 – “Cochlear Implant (CI)*  turn us into robots”; 3 – “Poor baby”, just because he has got a CI; “G’d made us deaf, so why try to be hearing?”.

My own answers: 1 – I am not telling anything about it being a natural language or not, this is not the point. There is no need to speak, although it is really helpful in a world where most people are hearing. 2 – we are not robots. Maybe cyborgs, as a friend of mine like to say. Kidding aside, the CI, for me, is like a pacemaker, an artificial leg, arm or any kind of technology that has the purpose to aid the individual to live a life as normal as possible. 3 – don’t worry, the baby is fine. I would say, poor you. Don’t judge someone just because of a device. 4 – it’s great to know you are comfortable being deaf, but some people would like to try to hear. The same G’d that made us deaf is also giving us the opportunity to listen.

From oralized deafs: 1 – “most of them (signing deafs) don’t understand Portuguese well and isolate themselves in a ghetto, nourishing hatred for hearing people. Why should I join them?”; 2 -“most of the world is hearing and communicate through sounds, why should I learn how to sign?”.

1 – you just said it. Most of them doesn’t mean that all of them are like that. Don’t make it general. I was lucky to met some really nice people among them. Joining those ones is worthy. Avoid/ignore the bad guys. If you are patient enough, you can show your arguments, but get ready to listen things you will not like. Bad guys are everywhere, being deaf or hearing means nothing about it. 2 – Pretty simple. You don’t have to.

* = CI is supposed to be the best device to have a performance as closer as possible than a hearing person. I am not sure of the selection criteria right now. The results vary from person to person. Usually the younger the person – because of the flexibility of brain connections -, better the result. Also, hearing memory and the time spent with no hearing at all is also taken into account. If the individual was hearing before becoming deaf, it is most likely to show a better result; if the individual was born deaf, it probably will have to work harder. It’s not like a math formula though, it’s more complex than that. So, the worst result I have seen is that it didn’t work and the best one is that the individual listen even better than a hearing person.

My point is, to dislike and disagree with something is acceptable, you have got free will to do so. But give a try to see from the other perspective. Even if you don’t like what you see, you have to accept and respect the differences. They are claiming what they believe to be right for them – so are you. As long as it doesn’t harm you, why would you interfere? Their happiness doesn’t mean your sadness.

Nevertheless, I still hope a better time is yet to come, where both groups become one. It’s my dream.

—-

Depois que me formei, o tempo que eu gastava estudando ficou livre. Eu tive que preenchê-lo de novo com outras atividades e escolhi Língua Brasileira de Sinais (também conhecida como LIBRAS) para me manter um pouco ocupado.

As primeiras aulas aconteceram no 2º semestre de 2010 e continuei estudando no 2º semestre de 2011. Não adquiri a fluência de sinais que gostaria, mas já consigo entender algumas situações por causa do contexto e também da leitura labial, já que conheci muitos surdos sinalizantes/bilíngues que articulam as palavras sem pronunciar nenhum som, só mexem os lábios.

Ao mesmo tempo, tornei-me parte de um grupo de surdos oralizados no Facebook. Os dois grupos – oralizados e sinalizantes – estão recentemente lutando para que o mundo se torne mais acessível para eles, principalmente através de educação especial e intérpretes (para os sinalizados) e legendas e conversa por chat/e-mail ao invés de chamadas telefônicas (para os oralizados e bilíngues – fluentes em sinais e português escrito). Eu realmente espero que os dois grupos consigam o que almejam. Acessibilidade não é só um direito, é um dever.

Infelizmente (na minha opinião pelo menos), os grupos não estão trabalhando juntos para alcançar seus objetivos. Entendo que cada grupo deseja uma coisa diferente e não há necessidade de união – que poderia tornar a luta mais fácil, com o aumento de participantes e também com a comunicação facilitada com o dito mundo ouvinte. Do jeito que vejo, o motivo para essa união não acontecer é por causa do preconceito nos dois lados.

Alguns argumentos que vi até agora, dos surdos sinalizantes: 1 – “a língua de sinais é a língua natural do surdo, não há necessidade de falarmos”; 2 – “o implante coclear (IC)* nos transforma em robôs”; 3 – “coitado do bebê”, só porque ele usa IC; 4 – “D’us nos fez surdos, então por que tentar ouvir?”.

Minhas próprias respostas: 1 – não vou dizer nada sobre ser a língua natural ou não, não vem ao caso. Não há a necessidade de falar, embora falar seja bem útil em um mundo majoritariamente ouvinte. 2 – não somos robôs. Talvez ciborgues, como uma amiga gosta de dizer. Brincadeiras a parte, o IC, para mim, é como um marcapasso, uma perna ou braço artificial ou qualquer tipo de tecnologia que tenha como propósito ajudar o indivíduo a levar uma vida o mais normal possível. 3 – não se preocupe, o bebê está bem. Eu diria, o coitado é você. Não julgue alguém só por causa de um dispositivo. 4 – é ótimo saber que você está confortável sendo surdo, mas algumas pessoas gostariam de tentar ouvir. O mesmo D’us que nos fez surdos está nos dando a oportunidade de ouvir.

De surdos oralizados: 1 – “a maioria deles (sinalizantes) não entende português direito e se isolam em um gueto, nutrindo ódio pelos ouvintes. Por que eu deveria me unir a eles?”; 2 – “a maioria do mundo é ouvinte e se comunica por sons, por que eu deveria aprender a sinalizar?”.

1 – a resposta está no enunciado. “A maioria deles” não quer dizer que todos sejam assim. Não generalize. Tive sorte de conhecer ótimas pessoas entre eles. Unir-se a esses vale a pena. Ignore as pessoas preconceituosas. Se tiver paciência, mostre seus argumentos, mas esteja preparado para ouvir coisas que pode não gostar de volta. As pessoas preconceituosas estão por toda parte, ser surdo ou ouvinte não tem nada a ver com isso. 2 – bem simples. Não precisa aprender.

* = o IC é em princípio o melhor dispositivo para obter uma performance auditiva a mais próxima possível de uma pessoa ouvinte. Não estou familiarizado com o critério de seleção de quem pode fazer a cirurgia agora. Os resultados variam de pessoa para pessoa. Geralmente quanto mais jovem a pessoa – por causa da flexibilidade das conexões do cérebro -, melhor o resultado. A memória auditiva e o tempo sem ouvir também são levados em consideração. Se o indivíduo ouvia antes de ficar surdo, é provável que obtenha um melhor resultado que quem nunca ouviu; se o indivíduo nasceu surdo, vai ter mais trabalho. Não é uma ciência exata, é mais complicado que isso. Enfim, o pior resultado que já vi é o IC não ter funcionado e o melhor é que o indivíduo ouve melhor que ouvinte.

O fato é que não gostar e discordar de algo é aceitável, existe livre arbítrio para isso. Mas tente enxergar por uma outra perspectiva. Mesmo que não goste do que vê, precisa aceitar e respeitar as diferenças. Estão reclamando pelo que acreditam ser certo para eles – assim como você. Enquanto isso não afetar você negativamente, para que interferir? A felicidade deles não implica na sua tristeza.

Ainda assim, espero que tempos melhores venham, em que os grupos se tornem uno. É meu sonho.

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11 Responses to Deafness – differences and goals / Surdez – diferenças e objetivos

  1. vou compartilhar, é outra perspectiva.
    muito bom o texto!
    otimas argumentações.

  2. Lak says:

    Segundo a wikipédia: “Um Ciborgue é um organismo cibernético, isto é, um organismo dotado de partes orgânicas e cibernéticas, geralmente com a finalidade de melhorar suas capacidades utilizando tecnologia artificial.”
    Não é o que o IC faz? Dota nosso organismo com partes cibernéticas com a finalidade de melhorar a nossa capacidade auditiva (bem é ínfima ou inexistente) através de uma tecnologia.
    Há vários tipos de cyborgs, implantados são apenas um tipo deles.
    Adoro o termo e incentivo o povo a usar.
    E, como já disse: ser cyborg não impede ninguém de usar ou curtir a língua de sinais. É uma escolha como aprender francês, mandariam ou hindi.
    Gostei imensamente do texto!! Bem isso mesmo!
    Beijos

  3. Ida says:

    Que maravilha de texto, Gui! Espero que teu sonho comece a se tornar realidade em breve. E sei que, no que depender de ti, tudo vai ser feito para aproximar as pessoas com quem te identificas e tanto te preocupas. Escrever assim já é um bom passo para começar.

  4. Juliana Santiago says:

    Lindo texto Gui, está de parabéns!
    É exatamente como eu penso, sou usuária do IC, foi uma escolha minha e não arrependo, pois através dele eu consigo apreciar muitos sons e ouvir melodias.
    Mas concordo que precisa parar essa briga e correr atrás dos nosso direitos sejamos sinalizados ou oralizados.
    Primeira vez que comento no seu blog, surpreso não??!!
    Beijos para vc!

    • guichazan says:

      oi Juliana! Que bom que estás aproveitando o IC, também gosto muito dele como facilitador de conversas e discriminação de sons.
      Essa briga não faz sentido mesmo, não é? Que todos consigam o que querem!
      Obrigado por comentar, gostei bastante! Surpresa boa.
      Beijos

  5. Kamila says:

    Muito bom o texto!
    Parabens por conseguir colocar em palavras esses pensamentos!
    Infelizmente muitos tem medo do desconhecido(no caso o IC) quando na verdade deveriam “arriscar” ja diz o ditado quem não arrisca nao petisca.
    É inevitável o avanço dessa maravilhosa tecnologia, possibilitando uma imensa qualidade de vida imagina poder ter a oportunidade de ouvir seu filho falar mamãe, um eu te amo ou até mesmo uma deliciosa musica… é algo sem preço!
    Sou totalmente a favor do Implante Coclear e estou nessa luta tambem pela minha filha!
    Com ela aprendi a ouvir… Apesar de ela ter sido implantada acho q quem teve esse privilégio fui eu… que pude compreender como é importante os sons em cada momento de nossas vidas!

    Kamila
    Mãe da Isabella Oliver – 5 anos
    usuária de Implante Coclear Bilateral

    • guichazan says:

      oi Kamila! Obrigado pelos elogios e pela tua opinião. Tenho certeza que outras mães pensam o mesmo que tu e estão passando pelos mesmos prazeres. Sucesso para vocês!

  6. Pedro Witchs says:

    Até que enfim atualizou este blog, hein, e que legal que abordou esse assunto. Quero te dizer que aprendi bastante contigo desde que nos conhecemos. Me senti tão ignorante quando percebi que eu enxergava os surdos oralizados por uma perspectiva preconceituosa. Obrigado por abrir meus olhos antes que eu me tornasse um profissional sem fundamentos. Abraços sinalizados-com-dicas-labiais ;P

    • guichazan says:

      Pedro, que prazer te ver por aqui!
      É um prazer ter te ensinado e também ter aprendido contigo. Que isso continue por muito tempo.
      Não vi traços de preconceito em ti, mas ter mente aberta é sempre importante. Tenho certeza que vais ser um ótimo profissional, formando de amanhã.
      Abraços cibernéticos

  7. Mariana says:

    Gostei mto do texto! Creio que as pessoas com deficiência, de modo geral, passam por dificuldades muito semelhantes. É claro que cada deficiência tem suas características e peculiaridades e que cada pessoa é uma pessoa. Mas eu diria que a principal dificuldade que perpassa a todas as pessoas com deficiência é muitas vezes a falta de sensibilidade e de bom senso das pessoas. Essa é o principal problema enfrentada diariamente. Parabéns pelo texto! Bjs Mariana

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